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»Caio Blat
Por Analice Bonatto
Aos 20 anos, Caio Blat possui um currículo invejável. Começou a carreira quando ainda era garoto. Atua na TV, teatro, cinema e ainda escreve peças e uma coluna mensal na revista Querida. Radiante, o jovem ator está em São Paulo, sua terra natal, em cartaz, até outubro, com a peça Macário. Esbanjando simpatia, Caio, antes da estréia, conversou com o She.com.br sobre assuntos diversos. Crítico, ele atira para todos os lados sobrando até para a Globo, quando questiona a emissora sobre a guerra pela audiência que nivela por baixo a programação.
O gato está solteiro. Há três meses, ele namorava Preta Gil, filha de Gilberto Gil, mas para tristeza geral afirma “quero ficar um bom tempo sozinho”.
She: Por enquanto você está de “férias” aqui em São Paulo?
Caio Blat: É, estou de férias em São Paulo (risos). A coisa mais legal é que todo ator tem o personagem dos sonhos né? Eu estou fazendo o meu.
She: Fale sobre Macário. Como você fez a adaptação do texto?
Caio Blat: Macário é a última criação de Álvares de Azevedo (1831-1852). Ele a escreveu internado em um quarto de hospital pouco antes de morrer, aos 20 anos, de tuberculose. O texto é uma carta de despedida do poeta e fazer a adaptação do que é delírio virar teatro, em qualquer lugar e para todas as platéias, exigiu vários estudos.
She: Você pensava em ser ator?
Caio Blat: Eu nunca pensei em ser ator. Minha mãe levou minhas irmãs para um teste e acabei fazendo um também, aos oito anos. Foi sem pretensão, era um hobby.
She: Como foi sua ida para as novelas?
Caio Blat: Eu tinha 12 anos quando fui fazer o No Mundo da Lua da TV Cultura, onde trabalhei com Antonio Fagundes. Aí, fui para as novelas no SBT: Éramos Seis, As Pupilas do Senhor Reitor e Fascinação. E entrei na Globo na minissérie Chiquinha Gonzaga.
She: Chiquinha foi um divisor de águas em sua carreira?
Caio Blat: Sem dúvida. Foi quando eu saí de São Paulo e pensei ‘agora não tem mais volta’, deixei a faculdade e fui morar sozinho no Rio.
She: Como conseguiu esse papel? Você foi convidado?
Caio Blat: Eu fui atrás do papel. Bati na porta do Jaime Monjardin e ele estava fazendo o elenco. Mostrei várias pesquisas minhas sobre o personagem e consegui o papel.
She: Qual era o curso que você fazia? Terminou a faculdade?
Caio Blat: Eu cursei até o segundo ano de Direito do Largo São Francisco. Na verdade, escolhi a faculdade e não o curso. Queria ter acesso ao material de Álvares de Azevedo que estudou lá.
She: Qual o último trabalho em cinema?
Caio Blat: Cama de Gatos, de Sergio Bianchi (diretor do filme Cronicamente Inviável). É um filme audacioso que faz uma crítica à minha geração em que há uma grande massa de adolescentes despolitizados. O meu personagem, Cristiano, o Cristo, é um pequeno-burguês. Ele e mais dois amigos estupram uma garota, ela morre e eles têm de se livrar do corpo.
She: Como você avalia as novelas?
Caio Blat: É um absurdo essa guerra pela audiência que nivela por baixo a programação. Na novela Uga-Uga não importa a história, o contexto, mas os caras estão sempre sem camisa.
She: E quando você volta às novelas?
Caio Blat: Fui convidado para fazer a próxima novela das sete na Globo. O título provisório é ‘Um Anjo Caiu do Céu’. Meu personagem é um aprendiz de querubim que tem uma missão na terra para ganhar suas asas. O Tarcísio Meira será um jornalista famoso que só se dedicou ao trabalho deixando de lado a família e os amigos. Ao cobrir uma guerra no Leste Europeu se fere e fica entre a vida e a morte. Nesse momento eu converso com ele. O Tarcisio “volta” à vida e eu já como um ser humano começo a trabalhar com ele.
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