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»GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA Por Acontece Comunicação e Notícias

Mesmo com todas as campanhas de conscientização e informação sobre os métodos de prevenção da gravidez, os números de adolescentes grávidas ainda são altos no Brasil. Os últimos dados divulgados pelo Ministério da Saúde revelam que cerca de 20% das crianças nascidas no país atualmente são filhos de adolescentes. O problema é maior na faixa etária de 10 a 14 anos, enquanto observa-se uma pequena redução entre as adolescentes de 15 a 19 anos.

“O principal motivo destes números não é a falta de informação, mas a falta de colocá-las em prática”, afirma o dr. José Alcione Macedo Almeida, vice-presidente da comissão de Ginecologia e Obstetrícia Infanto-Puberal da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) e presidente da Sociedade Brasileira de Obstetrícia e Ginecologia da Infância e Adolescência (SOGIA). Outro grande risco, especialmente nesta faixa etária, está relacionado à falta de importância dada ao pré-natal. “Geralmente as adolescentes não fazem o pré-natal corretamente, ou seja, são negligentes com esse importante acompanhamento médico”, explica o doutor.

PRÉ-NATAL

O objetivo do pré-natal é garantir o bom andamento da gestação através da realização de exames clínicos e de orientações gerais para a mãe. Hemograma completo, glicemia, tipagem sanguínea, exame de urina e papanicolaou são alguns dos exames pedidos pelo médico. A grávida também recebe  orientações sobre os cuidados com a alimentação, exercícios físicos, formas de ficar confortável, estimulação do bico do seio e amamentação.

“A principal dificuldade que o organismo da adolescente pode ter durante a gravidez, especialmente antes dos quatorze anos, está relacionada à formação incompleta do ponto de vista biológico. No entanto, o pouco amadurecimento psicológico é ainda mais preocupante e dificulta a aderência ao pré-natal”, pondera o doutor. E é justamente durante estas consultas pré-natal que o obstetra poderá identificar problemas desenvolvidos durante a gestação, como a pré-eclâmpsia. Caracterizada pelo aumento da pressão arterial da grávida, a doença pode gerar problemas para a mãe e para o crescimento do feto, caso não seja diagnosticada e tratada a tempo. O atendimento da adolescente grávida deve ser multiprofissional, e inclui, além do obstetra e do ginecologista, assistente social, psicóloga e nutricionista.

“As consultas com o psicólogo fazem toda a diferença, pois se ela aceitar bem a gravidez, o risco dela não realizar o pré-natal diminui”, declara o dr. Alcione. Junto à equipe multiprofissional deve estar o apoio da família e do parceiro, fundamentais para o sucesso da gravidez. “Este apoio é importante para ela saber que não está desamparada”, afirma o especialista.

O FUTURO

“Precisamos institucionalizar e capacitar os profissionais que dão a educação sexual para que os índices de gravidez na adolescência diminuam. Os jovens de hoje são bem informados através da mídia e da internet, mas precisam saber o que fazer com essas informações. Eles têm que absorver as informações corretas  de uma forma clara e objetiva”, analisa o doutor.




 
 
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