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A sabedoria roda aos rés do chão, nos pára-choques de caminhão em toda a malha viária nacional. São frases bem humoradas, catalogadas, estudadas, dissecadas, que já renderam teses de mestrado e doutorado, mas que desafiam o bom senso e o senso de humor, toda vez que somos nós os leitores do carro de trás.

Tirando as bobagens sobre sogras e cobras, o poder da pinga e as aventuras sexuais do motorista, há coisas que realmente nos levam a refletir sobre a filosofia de vida do brasileiro. Duas delas sempre me chamaram a atenção, porque ligam o verbo "amar" ao verbo "ter". A primeira: "é melhor ter amado e perdido do que nunca ter
amado” e a segunda "não tenho tudo que amo, mas amo tudo que tenho”.
A frase número um é um primor, pois coloca a experiência de vivenciar o "amor" acima da dor e do sofrer. Amar é sempre "válido", como dizíamos nos anos 60, mesmo que seja para perder depois. Raciocinando pelos extremos, um dia de amor verdadeiro vale a dor de viver sua perda pelo resto da vida. Ok, bacana. Mas fica aqui o questionamento: o que é "perder" um amor? Perder é deixar de ter ou possuir e o amor não é objeto material que se possua.

Onde está a pegadinha? Fácil. A pegadinha está no fato de que tratamos o amor como se ele fosse um produto vendido no shopping. Eu posso comprar um objeto, posso tê-lo, possuí-lo. Mas não o amor, ou o ser amado. O amor não é uma interação a dois, como o magnetismo. Tem que ter os dois pólos pra haver o amor.

Existe sim, o charme, o estado amoroso, que se espalha como um imenso campo de magnetismo, chamando o outro para perto da gente. Mas o amor só se dá quando os dois pólos interagem...

Além do mais, amor não tem nada a ver com posse. Posse é coisa do ciúmes, uma doença do amor, que acha que ama tanto, mas tanto, que quer primeiro possuir o outro, para depois destruir o outro e eliminar aquele que tanto o faz sofrer de amor. Apenas doença.

A outra frase o "não tenho tudo que amo, mas amo tudo que tenho" é um exemplo do falso conformismo do brasileiro, o coitadinho, que não tem tudo que ama, mas mesmo assim aceita o pouco que tem amando-o resignadamente! Que loucura, minha gente! A pergunta é, valendo um milhão, sem consultar placas ou universitários, o que é não ter tudo o que a gente ama? Aliás, o que é passível de ser amado e possuído? Gente? Carro? Propriedades? A intenção parece de segunda categoria, meio na linha "não posso ter o Brad Pitt a quem eu tanto amo, então, vou amar o Zé Mané que tá comigo", um horror!!!

Ter e amar são variáveis incompatíveis. Você pode gostar dos objetos que possui, assim como pode ter a seu lado a pessoa que ama. Mas confundir amor e posse é abrir a porta para o desequilíbrio. Por isso, ame sempre que puder, ame tudo, ame todos. Não vamos levar nada para o outro lado, nem o que possuímos. Só a incrível experiência de amar.









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