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Procura-se cadela labrador desaparecida que atende pelo nome de Daisy. Criança inconsolável. Vi essas faixas espalhadas pela cidade de São Paulo e estranhei, porque as cadelas não se perdem por todas as esquinas da segunda maior cidade do mundo, só em algumas.

Depois, vi um anúncio com os mesmo dizeres em revistas e jornais. Imaginei que os donos deveriam ser muito ricos para gastar tanto dinheiro em publicidade ou então, eles têm uma criança muito sentimental.

Mas, foi quando vi o comercial, tipo “all type”, só com fundo neutro e letras em rotativo, com a mesma chamada, que concluí que só poderia ser mais um golpe de marketing. Ninguém tem tanto dinheiro pra gastar em propaganda na televisão por causa de uma cadela labrador, nem existe criança tão inconsolável que obrigue os pais a investir milhares de reais numa campanha. Só se fosse a Sasha. Mas aí a mídia inteira já teria comentado...

Não deu outra. Na terça-feira, lendo o jornal Estado de S.Paulo, o esclarecimento: é mesmo uma estratégia de marketing, para o lançamento de uma nova comida pra cachorro. A matéria saiu no JT. e pode ser lida aqui

Eu, como milhares de pessoas, me senti traída e mais uma vez, feita de palhaça. Acho isso de uma canalhice sem tamanho. Num país onde sofremos tanto, onde há tanta injustiça, tive a oportunidade de entrar em contato com a sensibilidade do brasileiro através da TV, especialmente em programas ao vivo. Pessoas que doaram roupas, que tiraram famílias debaixo do viaduto, que ligaram para que salvássemos um cachorrinho que estava se afogando nas águas de uma enchente. Senti que as pessoas ainda têm aquele dom maravilhoso da solidariedade e da fé.

Quando vem uma campanha canalha, que engana a pessoa justamente através de seu lado bom, ela nos mata um pouco, a todos. Mata a nossa capacidade de acreditar, tão definhada pela política.

Se todos dizem que a propaganda é a alma do negócio, eu aprendi com o Walter Longo, da NewCommBates, que o negócio da propaganda é a alma. E essa campanha da cadela que não existe e da criança que não existe, rouba um pouco da nossa alma, brasileira, crédula, sensível.

O recado para o Celso Loducca, que sempre foi um cara bacana, para sua agência e para os colegas criadores, sem mágoa, só com o humor e respeito, é o seguinte:

- Eu não sou cadela não!










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