a



» sexo
» beleza
» use e abuse
» gente
» esoterismo
» moda
» ela+ele
» comportamento
» saúde
» vida light
» gdes mulheres
» só deles
» profissões
» pé na tábua
» pratos & cia
» shenews
» ambientes
» baladas & etc
» rindo deles
» colunistas
» quadrinhos
» cartões virtuais
» concursos
» fórum virtual


 
 

 
 
»

Ou deveria, pelo menos. Eu já tive e por duas semanas, estou tendo novamente, numa pequena cidade do interior de São Paulo. Vim para cá para responder uma pergunta que me fiz outro dia, quando estava saindo do trabalho.

Do estacionamento, é possível ver as grandes janelas de vidro de uma academia de ginástica. Às sete da noite, as salas lotadas, dezenas de pessoas correndo nas esteiras, pedalando nas ergométricas e subindo degraus invisíveis. Tudo eletrônico, tudo fechado, todos de costas para a janela, olhando vários monitores de vídeo. A pergunta era óbvia: aonde vão todas essas pessoas?

A lugar nenhum. O movimento não tem sentido de deslocamento. Para andar nas cidades elas não usam pernas, usam rodas. Para subir, nada de degraus, só elevadores. Olham a vida não por janelas, mas monitores.

Na vida natural o movimento sempre tem um sentido. Trepa-se na árvore para alcançar a fruta no galho mais alto, para amarrar a corda do balanço. Caminhar faz parte de uma jornada até algum lugar, para buscar lenha ou alimento. Visitar cachoeiras e fazer longas trilhas significa descer até o vale e subir até a montanha. Todo movimento faz parte de uma ação vital.

Os elementos fazem parte do dia, água, terra, ar e fogo. São lareiras, fogueiras, rios e cachoeiras, hortas e pastos, ventos, chuvas. Pelos mesmos ouvidos que captavam buzinas, trinados. Mugidos, latidos, miados.

É uma festa para os sentidos, uma vontade de ficar calada, o desejo eterno de não fazer nada. E, no entanto, o tempo todo estamos em atividade.

Em algum lugar no caminho da civilização perdemos o bom senso. Não pode ser natural sair de um apartamento, entrar um elevador, ir direto pro carro na garagem, pegar trânsito e finalmente entrar em outra garagem no prédio onde se trabalha e subir o elevador até o escritório. Tudo fechado, com ar condicionado. Comida em pacote, ar respirado. Pra não mencionar as pessoas que se fecham em cápsulas de bronzeamento artificial num país tropical como o nosso, onde o sol de verão nos deixa morenos e o do inverno, nos torna deliciosamente corados...

Claro, nem toda vida permite esse contato com o mato. Mas é preciso lembrar sempre que somos parte da natureza. E que sedução não é afeto, sexo não é poder, dinheiro não é sossego. E que a melhor parte da felicidade não é a cidade, mas é justamente o feliz...









índice | home
..